Se o seu passaporte não é de um dos mais de 40 países do Visa Waiver Program (o programa americano de isenção de visto), você não pode usar o ESTA para visitar os Estados Unidos — você precisa de um visto de verdade e, para turismo ou negócios, esse visto é o B1/B2. Ele é o cavalo de batalha do sistema de vistos americano: o B1 cobre viagens de negócios (reuniões, negociações, congressos), o B2 cobre turismo, visita a familiares e amigos e tratamento médico, e os consulados quase sempre emitem os dois juntos, como B1/B2, para que um único visto atenda às duas finalidades. Não sabe qual categoria se aplica ao seu passaporte? Consulte a sua nacionalidade aqui — se você tem direito ao ESTA, o processo é muito mais simples e você nem deveria estar solicitando um B1/B2.
Este guia cobre o que você realmente precisa: o teste de elegibilidade que decide a maioria dos casos, os quatro documentos obrigatórios para todo candidato, as provas que vale a pena levar mesmo que ninguém peça e o que o visto permite — e o que não permite — fazer.
Elegibilidade: os seus vínculos pesam mais do que a papelada
Esta é a parte que a maioria dos candidatos entende ao contrário. O B1/B2 é negado muito mais por elegibilidade do que por falta de documentos, e o motivo jurídico é quase sempre o mesmo: a Seção 214(b) da Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA. Pela 214(b), a lei presume que todo solicitante de visto de visitante pretende imigrar — e cabe a você derrubar essa presunção demonstrando vínculos fortes com o seu país e um plano de retorno crível.
O que conta como vínculo? Um emprego e uma renda estáveis, familiares que ficam no país, um imóvel ou uma empresa em seu nome, estudos em andamento e uma viagem que faça sentido para a sua realidade — objetivo claro, duração realista e dinheiro para bancá-la. Uma pasta impecável de documentos não salva uma solicitação em que o cônsul não se convenceu de que você vai voltar; por outro lado, quem tem vínculos evidentes e comprováveis pode ser aprovado em uma entrevista de dois minutos, quase sem nenhum papel examinado. Prepare primeiro a sua história, depois a papelada.
O que você precisa para solicitar
O Departamento de Estado exige quatro itens de todo candidato ao B1/B2:
- Um passaporte válido — como regra geral, com validade de pelo menos seis meses além do período que você pretende ficar nos Estados Unidos (alguns países têm acordos que os isentam da regra dos seis meses; as instruções do seu consulado informam isso).
- A página de confirmação do DS-160 — o DS-160 é o formulário online de visto de não imigrante que todo candidato precisa preencher, e a página de confirmação com código de barras é o que você leva à entrevista. É um formulário longo e implacável; veja o nosso guia passo a passo do DS-160 antes de começar.
- O comprovante da taxa de US$ 185 — a taxa de solicitação do visto de leitura mecânica (MRV) é de US$ 185, não reembolsável tanto em caso de aprovação quanto de negativa, e paga diretamente ao governo dos Estados Unidos pelo canal de pagamento indicado pelo consulado do seu país. A Charta Visa nunca cobra essa taxa — qualquer taxa de serviço que cobramos é separada e exibida à parte. Detalhamento completo no nosso guia da taxa MRV.
- A confirmação do seu agendamento — o comprovante impresso do horário de entrevista que você reservou no sistema de agendamento do consulado.
Você também vai precisar de uma foto de 5 x 5 cm (2 x 2 polegadas), dentro da especificação oficial: tirada nos últimos seis meses, fundo branco ou quase branco, expressão neutra e sem óculos. A mesma foto é enviada digitalmente dentro do DS-160 (JPEG quadrado, de 600 a 1200 pixels); leve a cópia impressa caso o envio digital seja recusado. A recusa da foto é um dos motivos mais comuns — e mais evitáveis — de adiamento de entrevista.
Provas complementares que vale a pena levar
Além dos quatro documentos obrigatórios, as provas complementares são tecnicamente opcionais — e muitos cônsules decidem sem pedir nenhuma delas. Leve mesmo assim. Se a entrevista balançar, é a pasta no seu colo que segura a situação:
- Carta do empregador informando cargo, salário, tempo de casa e o período de férias aprovado — o documento de vínculo mais forte para a maioria dos candidatos.
- Extratos bancários dos últimos três a seis meses mostrando que você consegue bancar a viagem por conta própria.
- Roteiro da viagem — reservas de voo, hospedagem e uma carta-convite, se for visitar parentes ou participar de uma reunião de negócios.
- Provas de outros vínculos — escrituras de imóveis, contrato social da empresa, declarações de matrícula, documentos familiares.
Mantenha tudo organizado e honesto; não infle a pasta com papel desnecessário. E lembre-se de que é na entrevista que os casos são ganhos — o nosso guia sobre as perguntas que o cônsul realmente faz mostra como respondê-las.
Validade e quanto tempo você pode ficar
Existem dois relógios diferentes, e confundi-los causa problemas reais. O primeiro é a validade do visto — por quanto tempo você pode usá-lo para viajar até um ponto de entrada nos Estados Unidos. Isso varia conforme a nacionalidade, por acordos de reciprocidade: para muitos países, o B1/B2 é emitido como visto de múltiplas entradas com validade de até 10 anos, enquanto outras nacionalidades recebem validade menor ou entrada única. O segundo é o período de permanência, definido na fronteira pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP): a cada entrada, os visitantes com B2 costumam ser admitidos por até seis meses, e a data do seu registro eletrônico I-94 — e não a do visto — é a data limite para você sair.
Mais um ponto para gravar: o visto não é garantia de entrada. Ele permite que você viaje até um ponto de entrada e peça admissão; quem dá a palavra final é o agente do CBP ali na hora. Viajantes com visto válido de 10 anos podem ter — e ocasionalmente têm — a entrada negada. Mantenha cada viagem coerente com a condição de visitante e isso dificilmente vai atingir você.
A realidade do processamento
A maior variável de todo o processo não é o formulário — é a fila para a entrevista, que vai de poucos dias em alguns postos a bem mais de um ano em outros, e muda o tempo todo. Consulte a espera atual no seu consulado com a nossa ferramenta de tempo de espera do visto americano antes de planejar qualquer coisa, e nunca compre passagens não reembolsáveis contando com uma entrevista que você ainda não tem.
As chances de aprovação são igualmente desiguais: as taxas variam bastante conforme a nacionalidade e o posto consular e, quando um B1/B2 é negado, o motivo citado costuma ser a 214(b) — vínculos insuficientes. Não cabe recurso contra uma negativa pela 214(b); você pode solicitar de novo (pagando outra vez os US$ 185), mas, se a sua situação não mudou de verdade, espere a mesma resposta. É por isso que compensa acertar a solicitação de primeira. Ninguém — nem nós, nem qualquer outro — pode garantir a aprovação de um visto; o que a preparação cuidadosa faz é garantir que a decisão seja tomada com base na sua situação real, e não em um erro de formulário ou uma resposta atrapalhada.
A Charta Visa é um serviço privado de preparação e revisão de vistos. Não somos um site do governo e não temos afiliação com o governo dos Estados Unidos. As taxas governamentais, incluindo a taxa MRV de US$ 185, são sempre pagas diretamente ao governo dos Estados Unidos.
Perguntas frequentes
Quem precisa de um visto B1/B2?
Cidadãos de países que não fazem parte do Visa Waiver Program dos Estados Unidos e querem visitar o país a negócios (B1) ou por turismo, visita a familiares ou tratamento médico (B2). Quem é do Visa Waiver Program usa o ESTA — uma autorização online bem mais simples.
Quanto custa?
A taxa governamental de solicitação (MRV) é de US$ 185, não reembolsável, e é paga diretamente ao governo dos Estados Unidos — nunca a nós nem a qualquer intermediário. Qualquer valor cobrado por um serviço privado é separado e deve aparecer de forma separada.
Quanto tempo posso ficar nos Estados Unidos?
O visto pode ter validade de até 10 anos com múltiplas entradas (varia conforme a nacionalidade), mas cada visita é limitada pelo CBP na fronteira — normalmente até seis meses. Quem define a data em que você precisa sair é o seu registro I-94, não o visto.
Quais documentos preciso levar à entrevista?
Passaporte válido (em geral com seis meses além da sua permanência), a página de confirmação do DS-160, o comprovante da taxa de US$ 185, a confirmação do agendamento e uma foto de 5 x 5 cm. Leve também provas de vínculos — carta do empregador, extratos bancários, roteiro —, mesmo que o cônsul nunca peça.
O visto garante a entrada?
Não. O visto apenas permite que você viaje até um ponto de entrada nos Estados Unidos e peça admissão; o agente do CBP ali é quem toma a decisão final e define quanto tempo você pode ficar.
